domingo, 28 de agosto de 2011

O dia da entrevista...

Sempre a correr lá conseguimos marcar uma entrevista para o meu trabalho com um contacto dele e com a sua ajuda preciosa. No dia marcado, quinta-feira, ele apanhou-me de manhã em minha casa e seguimos para o seu antigo trabalho. Já me tinha falado daquilo, tinha-me contado o que fazia, dito como é que era, em que consistia essencialmente. Tinha saído de lá há pouco tempo e percebi que era o que ele queria para si mas veio embora porque não conseguiu tirar de lá o que desejava a nível profissional, crescer e evoluir mais e isso não o deixava feliz, portanto, teve de tomar a difícil decisão de se despedir dos seus meninos e sair da casa onde trabalhara durante anos. Admirei-o logo por aquela decisão, um acto de coragem, para tentar melhorar. Por vezes as decisões mais difíceis são as mais importantes das nossas vidas.
Chegámos, ele foi-me apresentando, introduzindo ao local, ... lembro-me de pensar que trabalhava com imensas mulheres e dava-se bem com toda a gente. Fui muito bem recebida e, apesar de estar num meio estranho, para mim, senti que ele estava sempre por perto. Temia que ele não estivesse sempre a acompanhar-me e não saberia como agir se assim acontecesse mas ele teve esse cuidado e fez-me companhia a maior parte do tempo, orientando-me. Meteram-se connosco a perguntar se éramos namorados, na verdade nem liguei, compreendia o porquê (era alguém novo na vida dele, que os seus colegas não conheciam ou nunca tinham visto e a quem ele estava a acompanhar e ajudar) e nem dei muita importância, afinal não pensara nisso sequer. Estava longe de ser a minha intenção e o meu desejo ter um namoro naquele momento...


Não tardámos lá e, por volta da hora de almoço estávamos despachados. Eu estava cheia de fome e queria convidá-lo para almoçar comigo, até para lhe agradecer toda a ajuda e poder retribuir o almoço na esplanada (que tinha sido no dia anterior, precisamente) mas hesitei.
Quando nos despedimos lá no local da entrevista, ele disse algo como "Temos de ir andando que a Gabriela tem pressa..." e como eu não lhe tinha dito nada a esse respeito achei que ele poderia não querer estar mais tempo ainda comigo, que poderia já ter coisas combinadas e sítios onde ir...
Não queria parecer "colas" depois de termos passado tanto tempo juntos e de termos partilhado tantas horas dos dias anteriores, além do mais não faz muito o meu género ser eu a convidar, a dar o passo e ele ainda não tinha dito nada.
Já no carro, como quem não quer a coisa, perguntei-lhe se não ia almoçar e se tinha alguma coisa combinada ao que ele me respondeu que não e, aí, disparei um "Queres ir almoçar a algum sítio?", ainda me dava tempo até à minha aula à tarde e queria aproveitar para estar mais um bocadinho com ele.


Mais uma vez foi ele quem escolheu onde íamos e levou-me a um italiano muito bom. Foi um almoço encantador, ele fez-me elogios, conversámos sobre a vida dele, as suas experiências, o que desejava e pretendia a nível pessoal/profissional, contei-lhe coisas sobre mim,...enfim, como sempre, não nos faltou assunto.
No final do almoço ainda o levei a comer Cupcakes e ele adorou!


Lembro-me de sentir um estranho "desconforto" durante esse almoço. Julgo que comecei a perceber que aquilo não era o mesmo que com todos os meus amigos e com as pessoas que conhecia há tão pouco tempo, que era especial e diferente e isso assustou-me.
Tive medo e por isso, retraí-me um pouco involuntariamente. A minha cabeça e a razão gritavam-me ao ouvido que tivesse cuidado e que me podia magoar, para abrir os olhos que ele não era um qualquer...e eu senti-me num impasse. Estava de pé atrás. Nem Cupcake comi! Não estava mesmo em mim... Foi mais forte do que eu e nem me dei conta, só hoje consigo filtrar isso.



Ele deixou-me em casa e eu fui para as aulas logo de seguida.
Quando entrei na sala levava no rosto um sorriso parvo estampado, uma alegria qualquer que não sabia gerir.
Tinham-nos visto juntos quando ele lá me deixou e ouvi um "Passarinho verde...?!" de alguém que nem me conhece muito bem. Estava à vista de todos, só eu não queria/conseguia ver. Apressei-me a responder "Não, achas? Não é nada disso!" e levei com um "Essa carinha não engana ninguém minha menina..." e sorri sem ter mais o que argumentar.


Passei a aula toda com o pensamento longe, nem eu sei por onde ele andou...estava completamente desconcentrada e não havia nada que me trouxesse de volta à realidade, não havia nada a fazer. O que vale é que eram só duas horas de aulas (perdidas)...


Quando saímos confessei o que se tinha passado às minha amigas, o que tinha feito nesse dia e elas surpreenderam-se por, em tão pouco tempo já sairmos para comer juntos e estarmos tão próximos, ele ajudar-me daquela maneira e as coisas estarem assim...pouco me disseram. Acho que a minha alegria era notória e tentava nem pensar muito no que se passara e passava connosco. A minha cabeça andava na lua...não queria era pensar porque poderia estar a criar ilusões, falsas expectativas, inventar castelos de areia no ar e esperar demasiado para depois me vir a desiludir ou magoar. Então, não pensava nem esperava, nem idealizava mas o meu pensamento andava longe, toda a minha alma sorria e o meu coração estava cheio. Só agora sei que
tudo aquilo era o bem que tu me fazes.



1 comentário:

  1. Foste maravilhosa meu amor, como sempre aliás. Fiquei tão feliz por teres querido ir depois almoçar comigo. A mim também me sorri a alma e o coração por te ter a meu lado. Tão bom, só te quero ver feliz meu amor. Gosto muito de ti <3

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Palpita de coração!